Hoje temos novidade. Começamos uma preciosíssima série de entrevistas com os nossos autores da casa. Das canetas curitibanas, paranaenses, aos estrangeiros e brasileiros de todos os cantos, estarão todos os que estiverem na ativa respondendo a esse pequeno e danado questionário do nosso editor. Fato é que, antes de um livro, há sempre um conjunto de escolhas silenciosas: o que ler, o que abandonar, o que insistir em escrever mesmo quando não parece funcionar. Quase nada disso aparece nas páginas publicadas. Nesta nova série, propomos um desvio. Em vez de começar pelas obras, começamos pelos hábitos, pelas manias e pelas pequenas convicções que sustentam a escrita já que, no fim, são elas que acabam dando forma ao que chega até o leitor. É com esse espírito, então, que inauguramos essa nova série na nossa querida newsletter. Um conjunto de perguntas que não pretende esgotar nada, mas abrir pequenas frestas. Porque, no fim, talvez seja isso que a literatura faz melhor.oa prosa e muita história do nosso continente, das nossas pessoas e da sua visão do mundo.

 

Se pudesse viver dentro de um livro, qual seria?

Na noite eterna de Tres tristes tigres, de Guillermo Cabrera Infante.

 

Você relê livros? Quais?

Reli muito poucos livros. La sirvienta y el luchador, de Horacio Castellanos Moya, é o único que li mais de duas vezes.

 

Como começa um texto para você: imagem, frase, ideia ou personagem?

Sempre por uma ideia, pelo arco de uma história.

 

Qual parte do processo você mais evita?

Fico desesperada revisando os textos porque tenho pouca paciência. Mas sei que é o momento mais importante da escrita. Então continuo revisando.

 

Qual palavra você mais gosta — e qual prefere riscar fora?

Adoro a palavra “rebambaramba” (alvoroço em português). Não gosto da palavra “ héroe”  (alvoroço em português), sempre a escrevo errado.

 

O que te faz desistir de uma ideia? E o que te faz insistir nela?

Desisto se, ao reler minhas anotações, fico entediada. Insisto numa ideia se, ao reler minhas frases, penso: “uau, fui eu que escrevi isso? Está bom”.

 

Indique um livro da Arte & Letra que não seja seu.

Vou aproveitar e mencionar três: todo mundo deveria ler As lembranças do porvir, da Elena Garro na tradução de Iara Tizzot. E tenho dois pendentes: Cinza, de Lucas Barros Moura, e Escrever e ser/não ser mãe.

 

Sobre a autora:

Dainerys Machado Vento (Havana, Cuba, 1986) é escritora, jornalista e pesquisadora. Suas histórias aparecem em várias antologias publicadas no México e nos Estados Unidos. Em 2021, a revista Granta colocou seu nome entre os melhores escritores de língua espanhola com até 35 anos. É doutora em Estudos Literários, Culturais e Linguísticos pela Universidade de Miami e seus artigos foram publicados em revistas como Cuadernos Americanos, Hemisférica, Decimonónica, Revista Horizontum e La Gaceta de Cuba. É autora dos livros As Noventa Havanas (compre aqui a edição brasileira) e Retratos de la Orilla.